quinta-feira, 14 de janeiro de 2016


Somos pó.
O nosso produto final não passa de um acumular de poeira.
Fomos estrelas. Vagueamos, perdemos, voltamos e encontramos.
Somos pó.
Não podemos ser outra coisa. Deixamos rastos a nossa vida toda pelo caminho da estrada que percorremos. Conhecemos novos percursos e novas constelações. Uma panóplia de astros passou na nossa vida e foram deixando marcas no nosso pequeno céu. Uns, na última página, têm um céu estrelado que imite uma luz que parece de dia. Outros, permanecem na escuridão, sempre estiveram assim. Não sabem estar de outra forma.
E quando o vento leva o que deixamos para trás...
Deixamos de existir.
Tudo isto porque...
Somos pó.
Gosto de pessoas que me cabem no bolso. 
Posso levá-las comigo para todo o lado.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Quem és tu?
Soube agora que morreste.
Quem deixaste para trás?
Quem está a sofrer por ti?
Sabes a dor que estás a provocar?
As lágrimas
A angústia
A dor.

Hoje eu sei

domingo, 22 de novembro de 2015

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Sentada nos bancos de trás do autocarro, a observar toda a gente e ninguém a observá-la. Era assim que ela gostava. Ninguém a olhar para ela e ela com a visão privilegiada sobre todos. Não é que ela se sentisse superior aos outros. Não. Muito pelo contrário. 
Ela não gosta que as pessoas a observem, é demasiado tímida para isso.

sábado, 10 de outubro de 2015

I want to breathe me
Let me be your air 
  How deep is your love?
Is it like the ocean?

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Vejo os quadros a descer e a subir.
As palavras começam a aparecer.
Já não sou o que era.
Antes, conseguia muito mais do que simples frases.
Agora, a minha mente divaga demasiado.
Estou sempre a apagar e a reescrever.
Eu não era assim.
Eu não era
Eu não
Eu
...

segunda-feira, 6 de julho de 2015





Não sei o que sinto.
Não sei o que sentir.
Sei que sinto o que não quero.
E não sei como sentir o que quero.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

um pato a mais

É conhecida por toda a gente mas ninguém sabe quem ela é. Todos olham para ela com um ar familiar mas enganam-se. 
É normal, nós gostamos de rotular as coisas. Afinal um pato não deixa de ser um pato e, por isso, todos nos parecem iguais. 
No entanto, quem sofre é ela. 
Não faz mal, um pato não sofre, não sente como nós. É um animal irracional e, nós, como seres superiores somos profundos conhecedores, podendo assim apoderarmos-nos de tudo, incluindo um simples pato.

terça-feira, 16 de junho de 2015




Sonhei um sonho que nunca tinha sonhado antes.
Nesse sonho estava a sonhar que o sonho que nunca tinha sonhado desapareceu.
Roubaram-me o sonho.
E o sonho que tive que nunca tinha sonhado antes, foi-se.
Foi e não voltou.
Sonho bom.
Ladrão mau.
Enfim...

sábado, 30 de maio de 2015

terça-feira, 19 de maio de 2015

o que sou?

Pessoas paradas
Tempo parado
Sentimentos congelados
Somos máquinas
O mundo está cheia delas
Serei eu uma ?

segunda-feira, 18 de maio de 2015

 
Sinto saudades. Tenho saudades do que fazia antes mas gosto do que faço agora. Quero voltar a fazer o que fazia mas gosto do que faço agora. Quero voltar ao passado mas gosto do presente. Quero saber o que fazer sem fazer nada para o saber. Quero o tudo e quero o nada. Quero conhecer-me dos pés à cabeça e da cabeça aos pés. Quero voltar a saber o tudo que sabia no passado mas gosto do nada que sei no presente. 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 14 de setembro de 2014

são apenas nuvens



Plumas brancas

É o que eu vejo,
Plumas intensamente brancas
Lá no alto a que chamam céu.
Plumas brancas
Com formas variadas,
Tal como os meus sonhos.
Ohhh! Quem me dera
Que nos meus sonhos
Eu pudesse ser uma pluma branca,
Simplesmente uma pluma
Intensamente branca.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

to be or not to be

 


Hamlet: Ser ou não ser, essa é a questão: será mais nobre suportar na mente as flechadas da trágica fortuna, ou tomar armas contra um mar de obstáculos e, enfrentando-os, vencer? Morrer - dormir, nada mais; e dizer que pelo sono se findam as dores, como mil abalos inerentes à carne - é a conclusão que devemos buscar. Morrer - dormir; dormir, talvez sonhar - eis o problema: pois os sonhos que vierem nesse sono de morte, uma vez livres deste invólucro mortal, fazem cismar. Esse é o motivo que prolonga a desdita desta vida.

William Shakespeare, in "Hamlet"

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

a dificuldade de escrever um livro

write - for my little writer. $18

Maior parte das pessoas pensa que escrever um livro é fácil, que basta juntar umas palavras e já está. A verdade é que escrever um livro é das coisas mais difíceis, ou pelo menos imagino que seja, visto que nunca escrevi um. Nunca escrevi um livro mas tenho vontade de fazê-lo. Não tenho coragem nem sei como fazê-lo. Coragem é o que falta a muitas pessoas neste mundo, atreveria-me a dizer que coragem é o que falta a todas as pessoas. Mas não faz mal porque todos nascemos inacabados e todos tentamos nos acabar. Claro que isso é impossível mas com um bocado de coragem vamos fazendo coisas que nunca pensamos. E a beleza da vida é mesmo esta. Segundo Eça de Queirós para se ser um verdadeiro homem (e eu interpreto "homem" como nós todos, a humanidade) é necessário plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Está na hora de sermos verdadeiramente alguém, por isso vais começar pela árvore, pelo filho ou pelo livro?! Não importa a ordem é uma decisão tua!

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

a andorinha que sou


Livre como o mar,
Dependente como a andorinha,
ela só precisa de atenção.
Mas, como qualquer pássaro,
foi abandonada e esquecida
nunca mais reconhecida.
Resolveu fugir
para uma terra encantada,
e nunca mais voltar
ao sítio onde nunca foi amada.

(Maria) Inês

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

bom humor tardio


Sentir o vento a percorrer os meus fios de cabelo, a passar-me entre os dedos, a secar a minha boca ou até mesmo a esfriar o meu nariz é uma das únicas sensações que faz com que eu fique com um humor de agradar aos deuses.